SIGAM-ME OS BONS

A QUEM POSSA INTERESSAR

A maior parte dos textos aqui citados (por razões óbvias) não tem a autorização prévia dos seus legítimos proprietários. Entretanto, o uso neste blogue deve-se apenas a razões estritamente culturais e de divulgação, sem nenhum objetivo comercial, de usurpação de autoria e muito menos de plágio. A administradora do ARMADILHAS DO TEMPO pretende apenas expressar a sua admiração pessoal pelas obras e pelos autores citados, julgando assim contribuir para a divulgação da arte, da literatura e da poesia em particular. A ADMINISTRAÇÃO DO ARMADILHAS DO TEMPO respeitará inteiramente a vontade de qualquer autor que legitimamente manifeste a vontade de retirar qualquer texto aqui postado.

domingo, 4 de março de 2012

O ALVO QUE ESCOLHI SER



Havia um tempo, e não faz muito, que meu sorriso não tinha vincos nos cantos e sabia ocupar-se da língua, sempre insana.
Havia um tempo, e não faz muito, que a minha boca, destemperada em sua cor de nascença insistia em buscar semelhanças em outras bocas, outras moças, outros moços, outros tantos, comunhão.
Havia um tempo, e não faz muito, que meu corpo rijo oferecia céus e infinitudes, e sabia correr o estado do risco, e sabia parar sob ordens que só ele, ele mesmo, dava a si.
Havia um tempo, e não faz muito, que vivia o meu coração gerando as ideias que minha cabeça executaria sem pudores.
Hoje, reservo dores para os começos. Vou vivendo. Troco dias por cicatrizes. No final dos tempos, vou ser um mapa delas, cada uma indicando um caminho, uma trincheira, uma saraivada de tiros em posição de alvo. O alvo que eu escolhi ser.



Wolney Fernandes
INSTANTES POSSÍVEIS

Nenhum comentário:

Postar um comentário