Arrasta, Maria, esse saco de restos. Ninguém liga para as sobras que você leva, e nem para onde elas levam você.
Arrasta, Maria, esse saco de gestos que o coração quer esquecer. Quisera você fosse ele sem fundo para a vida, mas diminuto para a sobrevida.
Arrasta esse saco, sem inúteis palavras e fúteis desejos. Dizem aí que o amor está em todo o canto, pois o tempo é de festa e de luz. Repara então na vitrine, Maria: as cores da tevê tingem dores e risos, mas descolorem você.
Arrasta, Maria, esse saco. Nele sigo seus passos de encanto e seus olhos em pranto. Estou bem aqui, logo atrás dos sonhos seus. Porque também sou resto, Maria.
Mas meu nome é Esperança.
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