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domingo, 28 de agosto de 2011

AINDA QUE TARDE, AINDA QUE QUASE...


toco com os dedos o sim e o não. quem sabe o talvez me açoite com suas espadas vermelhas endiabradas. eu que já não quero finais. me inicio. quebro a ordem do cinza. e avanço sinais e rimas baratas. transponho o leve e azedo gosto pelo silêncio e grito. grito. grito. infernalmente. insuportavelmente grito. apelo. grito e ardo. me armo. palavras e fogos e pedras e pão. grito. víboras essas frases presas entrincheiradas na minha garganta. grito. e esse grito é sangue reverberando pelo largo onde agora me deito mesmo sem saber. o quanto. onde. quando. tateio então. arrasto-me e estendo meus dedos afiados pelos portões e extravios. alcanço medo moedas e rendas espinhos e macios. ainda que lentamente. me deslizo enquanto meu peito incendeia e explode rosas vermelhas.  escorro. me largo ladeira abaixo. me morro. me caço e me atropelo em pleno sinal verde. me alcanço deitada em avenidas triunfais onde as calçadas me interrogam e alimentam meus pés. grito. grito. grito. e rasgo no asfalto o silêncio dos anos, a quietude cancerígena, o pensamento ordenado. brado ainda que rouca. ainda que quase, infeliz. apenas, por um triz. agora que sempre.


Dani Santos



 Retratos, Cores e Silêncios

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