Escrito por J Yanni
“Eu não escrevo para matar o tempo, nem para revivê-lo. Escrevo para que eu me viva e me reviva”. (Otávio Paz)

Nem todos têm o privilégio de viver o bastante para amadurecer seus ideais; ou mesmo seus conhecimentos. O que chamamos maturidade vem muito tarde; quando provamos que superar é um verbo sinônimo de sublimar, já cometemos muitos desatinos. Já sofremos por nossos erros, já nos encontramos com vergões no lombo: “A forja e o ferreiro, o homem e a vida.” Paralelos proverbiais! O povo é sábio! As máximas estão em todas as bocas; metáforas repassadas de maneira simples, ao alcance de todos. Chavões que às vezes nos incomodam; milagrosos em sua origem. Cartilha da vida. - Precisamos nos machucar? Tombar de frente, sofrer, para forçosamente entrar em acordo com a razão? Tive em criança muita raiva destes versos que líamos no final de um texto do nosso livro de leitura. Era atribuído a Boccage se não me engano:
“O sino - o burro - a noz e o preguiçoso
Sem pancada nenhum faz seu ofício.
Mas se o duro lhe sacode o vício,
O sino toca
O burro pés amiúda
A noz se quebra
E o preguiçoso estuda”
Não é o treino, já que o homem é um animal amestrado? Nessa escola do tempo, a vida oferece seus percalços; nossa liberdade sem dúvida, é limitada. Para o próprio controle, não podemos sair dos parâmetros sem nos esbarrarmos em dissabores. Há quem se aproveita de um limão e faz com ele uma limonada... Sábia resolução a de quem fabrica o seu licor, destilando-se a si mesmo contudo, a maioria faz careta. É o homem; entre seus frutos e suas obras, no seu calvário, cotidiano. É a vida... é a vida... Respeitemos os chavões! No final da nossa estrada, no limiar da nossa existência, percebemos que o homem, a vida e todos os seus ensinamentos, se reciclam juntos. No poder de avaliar, está a nobreza do envelhecer.
ALARP - Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto
FONTE AQUI
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