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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

João Ninguém

Quando o próximo sangue jorrar
Daquele por quem ninguém irá chorar
Daquele que não deixará nada para se lembrar
Daquele em quem ninguém quis acreditar.
Quando seus olhos só puderem fitar o escuro.
Quando seu corpo estiver inerte frio e duro,
quando  todos perceberem morto João Ninguém
e quando longe de todos ele será seu próprio alguém.
Tantas mãos tantas linhas incertas, tantas vidas encobertas, sem ninguém pra sentir,
Tantas dores, tantas noites desertas, tantas mãos entreabertas sem ninguém para acudir.

Qualquer dia vou despir-me da luta, pisar em coisas brutas sem me arrepender.
Tão difícil ver a vida assassinada quando já estamos prontos para tentar sobreviver.
As perguntas sem respostas, sem nada, as vidas curtas desamparadas.
O último grito que não foi ouvido: Calaram mais um homem iludido.
E no mundo não há mais argumentos pra fugir aos lamentos de quem sozinho falece.
Para esses não há mais compreensão, não há mais permissão para que se tropece.
Na televisão o aguardo da cotação, um instante ocupado para dizer morto João Ninguém.

Mas a inflação ataca, a cotação subiu ou caiu?
e João morreu ninguém viu.
Eu vou distribuir panfletos dizendo que João morreu.
Talvez alguém se recorde do João que falo eu.
Falo daquele mendigo que somos pelo menos em matéria de amor,
daquele amor que esquecemos de cultivar o qual com tanto dinheiro ninguém jamais coroou.

Do livro "A queda para o alto" de Sandra Mara Herzer(Anderson Herser nome adotado na adolescência entre os muros da Febem)

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