A coragem quer começar minha vida do zero e a covardia me pede pra continuar esse castelo que construo há tanto tempo.
A árvore que plantei não me deu o fruto que eu esperava colher. Quando me obrigaram a plantar as sementes dos meus sonhos eu era muito criança para saber o que eu estava colocando pra crescer no meu chão.
Um medo invade o livro e atravessa a página gritando: AGORA É TARDE DEMAIS, (ignoro essa invasão).
Peço de joelhos que a fraqueza (vadia) levante a saia na beira da estrada e mostre suas belas pernas, pois preciso arranjar uma carona da sorte pra mudar minha vida de lugar.
Necessito que meu desânimo seja corajoso pra assassinar tudo que acreditei até agora pouco.
O que fazer quando a vida muda de idéia? Não alcancei meus sonhos a tempo e agora a validade deles venceu (não sou orgulhoso, me recuso a comer comida podre). Vou fugir pra poder me encontrar.
Quero amigos novos pra um dia poder voltar e reconhecer quem eram os velhos. Um país novo pra lembrar que países não existem (meu coração teve amnésia).
Preciso de saudade, pois hoje esqueci de quem eu gosto de verdade. Estou cercado por gente normal e sinto muita falta dos meus heróis.
Não é preciso coragem pra mudar a direção da vida basta se sentir criança. Mas o mundo esfrega velas de bolo, números, responsabilidades, rugas na minha cara pra que eu acredite que a minha vida envelhece no mesmo ritmo que o corpo (e o pior é que eu acredito). O que eu preciso fazer pra aprender que a alma vai ser sempre uma criança vestida com uma fantasia que envelhece?
O tempo judia do corpo, e as crenças e regras judiam da alma. Minha criança deixou de acreditar em Papai Noel, pois me cobraram uma prova de que ele existia.
Envelheci quando parei de acreditar no meu mundo pra aprender a dividir um só mundo com todos os homens (chamam isso de lucidez). Toda criança é louca e toda loucura é criança, pois só a lucidez acredita que envelhece.
Estou decidido a deixar esse velho que me tornei preso no asilo. Não existe nada mais corajoso que aceitar a loucura como lucidez, mas confesso que ainda não estou preparado pra ser chamado de louco e aceitar isso como um elogio (não sou tão corajoso quanto Jesus Cristo).Volto a ser só uma bunda sentada na calçada da vida vendo a banda passar cantando coisas de amor (alguns nascem com talento pra cantar outros nascem mudos e obrigados a só escutar).
O conformismo me ajuda a desfazer as malas. A ousadia com raiva de mim bate a porta na minha cara. Sinto-me muito pesado e fedido. O motivo? Abaixo as calças e percebo que estou todo cagado de culpa por não ter aceitado a loucura como crescimento.
Já que aceitei minha limitação de homem normal necessito adaptar a felicidade ao estado de lucidez. Lúcido é impossível ser feliz sozinho… é necessário algo mais: Um bom emprego? Dinheiro? Uma bela mulher? O que mais preciso? Sinto como se tudo fosse pouco perto do que espero que a felicidade me traga.
Acho que meu erro é achar que a felicidade é algo grande! Talvez eu não tenha que crescer pra ser feliz e sim diminuir. Talvez eu não tenha que chegar longe e sim perto. Talvez eu não precise correr para algum lugar certo e sim me deixar levar pra qualquer um.Talvez eu precise me lembrar de me esquecer.Talvez eu só tenha que tirar o TALVEZ do começo das frases.
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