é senão o sentido da flor o esquecimento. como pétalas que caem e nossos dedos descrentes não ousam tocar. é ali o ponto da estrada em que me desoriento. justamente ali onde me olham, me constrangem, me examinam com seus olhos que são os meus e que também não os são. é onde mora meu medo, onde me escondo de mim e do caos absurdo que me puxa pela mão e segura minha blusa. é nessa hora que me obrigo a andar cabisbaixa dialogando com meus próprios pés, a fim de fugir da loucura exata dos olhares que me assaltam. é naquela curva onde humanos infinitamente iguais a mim e ao mesmo tempo terrivelmente desiguais me interpelam. interrogam minha fome e minha sede, minha roupa e minha pele, meu cabelo, olhos, nariz e meu caminhar oscilante. escrutinam meus rótulos, minhas verdades e amarguras. riem dos meus sonhos e afogam meus pesadelos na rua esburacada. é justamente ali onde se situa a febre de me sentir gente. e fujo. apresso os passos e volto pra noite branca de paredes tristes, onde me deito e morro então.
Dani Santos
Dani Santos
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