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domingo, 3 de outubro de 2010


Você não vale um poema. um verso. a rima imperfeita. uma letra para a melodia repetida no silêncio. não vale. você não vale a madrugada perdida. o amanhecer no sofá. a febre. o vômito. o grito. uma foto rasgada. um diário queimado. os cabides quebrados. não vale. você não vale o corte riscando o pulso. um punhado de remédios. os discos tristes. um solo de sax. a mão por horas sobre o telefone. a espera. um carro no poste. um soco na parede. o vaso jogado no chão, você não vale. não vale um espelho trincado. o copo atirado. o gemido atravessando a cidade. o palavrão. não. você não vale o tempo perdido. a teimosia da busca. mas eu lhe procuro. ainda. eu escrevo versos. faço poemas. eu amanheço na febre. acelero contra o muro. ouço discos riscados. engulo comprimidos em punhados. eu vomito. você não sabe, não imagina. mas eu não aprendi. eu ainda faço tudo por alguém que não vale nada.

Eduardo Baszczyn

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