"...Somos autores de boa parte de nossas escolhas e omissões, audácia ou acomodação, nossa esperança e fraternidade ou nossa descofiança. Sobretudo, devemos resolver como empregamos e saboreamos nosso tempo que é afinal tempo presente.
Mas somos inocentes das fatalidades e dos acasos brutais que nos roubam amores, pessoas, saúde emprego, segurança, ideais. De modo que minha perspectiva de ser humano, de mim mesma, é tão contraditória quanto instigantemente somos.
Somos transição, somos processo. E isso nos perturba.
O fluxo de dias e anos, décadas, serve para crescer e acumular, não só perder e limitar. Dessa perspectiva nos tornaremos senhores não servos. Pessoas, não pequenos animais que correm sem saber ao certo por quê.
Se eu e meu leitor acertarmos nosso tom reciproco, este monólogo inicial será um diálogo - ainda que eu jamais venha a contemplar o rosto do outro que afinal se torna parte de mim..."
Então minha arte terá atingido algum tipo de objetivo.
Lya Lufty
em Perdas e Ganhos
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