sábado, 26 de fevereiro de 2011

DA SOLIDÃO E A INERÊNCIA DA DOR




solidão dói :
no meio da praça deserta
na manhã oprimida e dispersa
dói convertendo em dor
o pulsar insistente
do desejo afogado de coração boiando
quase inerte
na maresia do banco de espera
concreto e frio
do meio do espaço.

a solidão dói no quarto
 a solidão dói na rua
 dói debaixo do guarda-chuva
e torna a doer na cama vazia
no banheiro de chuveiro elétrico
dói dentro do ônibus coletivo
dentro dos vãos de uma aglomeração
e onde a gente sequer escolhe.

A solidão dói sozinha
 [ressentida]
dói com música
 dói com livros na estante
com passos de danças perdidos na sala de estar
e dói até falando sozinha frente ao espelho embaçado do guarda-roupa

dói na despedida
e também na chegada.

dói a dois e a três,
todavia
preferencialmente
a solidão dói sozinha
intrínseca a corações apertados
espremidos em dor de querer
estar perto

a solidão dói
 
 
Deisiá
 
 
E COMO DÓI...
M.TOITO

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