domingo, 23 de janeiro de 2011

MOMENTO HAIKAI

CIGARRA

Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.

CHUVA DE PRIMAVERA
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.

OUTUBRO

Cessou o aguaceiro.
Há bolhas novas nas folhas
do velho salgueiro.

O HAIKAI

Lava, escorre, agita
A areia. E, enfim, na bateia
Fica uma pepita.

NOTURNO

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

HORA DE TER SAUDADE

Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)

OS ANDAIMES

Na gaiola cheia
(pedreiros e carpinteiros)
o dia gorjeia.
 

QUIRIRI
Calor. Nos tapetes
tranqüilos da noite, os grilos
fincam alfinetes.


Guilherme de Almeida

 

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