Eu queria uma vida assim com você.
Assim sem relógio, sem dedo em riste.
Sem lei, sem sociedade, sem satisfação e sem chau!
Eu queria uma vida assim com você.
Mas infelizmente meu querer não é tudo
e meu poder é limitado.
Felizmente, minha palavra se esvai
e esse papel se amarela.
Felizmente porque o bom mesmo é a espera.
A incerteza e o talvez são molas propulsoras.
Porque senão a alegria não teria razão
E o chegar não teria partida.
Eu queria uma vida assim com você.
Sem lenço, sem documento.
Mas o bacana é o adeus é a volta.
É o riso depois do choro.
É o hoje sofrido e o amanhã exultante.
O bacana é o crescente, a renúncia,
a noite mal dormida, a consciência,
o bacana é a luta.
É saber que existe o perdão.
É a dúvida do "não quero", mas quero.
Eu queria uma vida assim com você.
Mas dou graças por não ter.
Pois só assim posso medir-me.
Posso certificar a limitação humana.
Só assim sei que nada sou,
que vivo capengando
Carregando o que dá
e caindo com o que não da.
Só assim eu sei o quanto lhe quero
o quanto posso, mas o quanto não devo.
Do Livro "Deus Negro" de Neymar de Barros



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