quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A ERVA QUE CRESCE DE NOITE


"Não sei quem escreveu esta verdade banal que serve de título a esta nota, mas sei que dela se vem alimentando a minha alma há muitos anos. Porque assim é: a erva - como todas as coisas grandes e importantes do mundo- cresce de noite, em silêncio, sem que nínguem dê por ela. Porque bondade e bem combinam bem com o silêncio, assim como a estupidez anda sempre rodeada de brilho e de barulho.

(...)

...desde que o mundo é mundo, sempre os parvos fizeram mais ruído que os outros. E assim como cem violentos são capazes de levar a reboque trinta milhões de pacíficos, assim uma dúzia de subdesenvolvidos são capazes de pôr de  pernas para o ar tudo o que os melhores conseguiram construir ao longo dos séculos.
    Perante isto resta-nos o sorriso, rir um pouco da condição humana e dessa larga zona de parvoíce que todos temos dentro da nossa própria alma. Sorrir, ver-se ao espelho, arremedar à parvoíce externa e à interna... e continuar a trabalhar. Porque essa é a grande verdade: toda a insensatez do mundo jamais será capaz de impedir que a erva continue a crescer de noite ... sempre que a erva for capaz de continuar a crescer, calada e humildemente, sem se deixar cair, também ela, na tentação de ter inveja dos barulhentos."

José Luís Martín Descalzo

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