"...Enquanto o amor não passa, somos escravos da própria alma desesperada. Ela nos chicoteia, nos aponta. É o mais cruel dos nossos carrascos. A inquisitora mais verdadeira. É o espelho mais terrível de se mirar por inteiro porque nele vemos nossas piores mazelas.
Enquanto o amor não passa há uma luta insana entre a razão e a emoção. Ficamos zonzos, olhando para os lados, porque o mundo inteiro torna-se canceroso e para as nossas doenças o único lenitivo já foi embora há muito tempo. Escapou. Passou.
Enquanto o amor não passa, outro também não vem. E o tempo nos desrespeita carregando grandes momentos. Muitos desperdícios.
Enquanto o amor não passa é melhor o recolhimento. A solidão. Talvez assim possamos entender integralmente o que houve e digerir nossos pedaços, grão por grão, lágrima por lágrima, num banquete solitário cujo único convidado é o nosso coração.
Enquanto o amor não passa... não ouça, não fale. Tão somente sinta saudade. Um dia, ela também passa.
Cláudia Villela de Andrade
'Enquanto o amor não passa, outro também não vem...'
ResponderExcluirLindo poema... Dolorosa verdade... Andrea